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Temporada

7 Cláusulas Abusivas Comuns em Contratos de Temporada

21/01/2026
10 min de leitura

Contratos de aluguel por temporada (até 90 dias) são comuns para férias, eventos ou trabalho temporário. Porém, muitos proprietários e plataformas inserem cláusulas abusivas que violam o Código de Defesa do Consumidor e a Lei do Inquilinato. Conheça as 7 cláusulas mais problemáticas e saiba como se proteger.

O que é locação por temporada?

Segundo o Art. 48 da Lei 8.245/91, a locação por temporada é aquela destinada à residência temporária do locatário, para prática de lazer, realização de cursos, tratamento de saúde, feitura de obras em seu imóvel, e outros fatos que decorram tão-somente de determinado tempo, sendo o prazo máximo de 90 dias.

1. Multa de cancelamento desproporcional

Muitos contratos de temporada preveem multas de 50%, 80% ou até 100% do valor total em caso de cancelamento. Essas multas são consideradas abusivas pela jurisprudência.

Por que é abusiva

O Código de Defesa do Consumidor (Art. 51, IV) considera nulas cláusulas que estabeleçam obrigações consideradas iníquas, abusivas, que coloquem o consumidor em desvantagem exagerada.

O que a lei diz

Os tribunais brasileiros têm decidido que multas de cancelamento acima de 20% do valor total são abusivas em contratos de temporada. A multa deve ser proporcional ao prejuízo real do proprietário.

Exemplo de cláusula abusiva

“Em caso de cancelamento a menos de 30 dias da entrada, o locatário perderá 100% do valor pago.”

Como se proteger

  • Negocie multas proporcionais (máximo 20%)
  • Prefira cancelamento sem custos com 30+ dias de antecedência
  • Documente todas as comunicações de cancelamento por escrito
  • Questione judicialmente multas abusivas

2. Taxa de limpeza abusiva

Cobrar uma taxa de limpeza é permitido, mas muitos proprietários cobram valores muito acima do custo real do serviço.

Por que é abusiva

Quando a taxa de limpeza representa 30%, 40% ou mais do valor total da estadia, ela deixa de ser uma taxa e passa a ser uma forma de aumentar o preço sem transparência.

O que a lei diz

O Art. 6º, III do CDC garante ao consumidor o direito à informação adequada e clara sobre os produtos e serviços, com especificação correta de quantidade, características, composição, qualidade, tributos e preço.

Taxa razoável

Uma taxa de limpeza razoável deve corresponder ao custo real do serviço: geralmente entre R$ 100 e R$ 250 para apartamentos padrão, dependendo da região.

Como se proteger

  • Compare a taxa com o preço médio de faxineiras na região
  • Exija a discriminação da taxa antes de fechar o contrato
  • Questione taxas que excedam 15% do valor da diária

3. Retenção total do sinal sem justificativa

É comum exigir um sinal (arras) para garantir a reserva. Porém, reter 100% do sinal independentemente das circunstâncias do cancelamento é abusivo.

Por que é abusiva

O sinal tem função de garantia, não de penalização desproporcional. Se o cancelamento ocorre com antecedência suficiente para o proprietário remarcar, a retenção integral é injustificada.

O que a lei diz

O Art. 417 do Código Civil prevê que, se a parte que deu as arras não executar o contrato, poderá a outra tê-lo por desfeito, retendo-as. Porém, os tribunais aplicam o princípio da proporcionalidade e o vedação ao enriquecimento sem causa.

Como se proteger

  • Negocie devolução parcial em caso de cancelamento antecipado
  • Prefira sinais menores (10-20% do total)
  • Documente a data do cancelamento formalmente
  • Exija comprovação de prejuízo real antes de aceitar a retenção

4. Proibição de visitas

Alguns contratos proíbem terminantemente que o locatário receba qualquer visita durante a estadia, mesmo familiares.

Por que é abusiva

Proibir visitas de forma absoluta viola o direito do locatário de usar o imóvel de forma adequada. Receber visitas faz parte do uso normal de qualquer moradia, ainda que temporária.

O que a lei diz

O Art. 23, II da Lei 8.245/91 garante ao locatário o uso pacífico do imóvel locado. Restrições desproporcionais ao uso normal podem ser consideradas abusivas pelo CDC.

Limitação razoável

É razoável proibir festas ou hospedagem de pessoas não declaradas. Porém, impedir visitas diurnas de familiares é desproporcional.

Como se proteger

  • Negocie permissão para visitas em horário comercial
  • Esclareça o número máximo de hóspedes antes de reservar
  • Diferencie “hóspede” de “visitante” no contrato

5. Obrigação de contratar serviços extras

Alguns proprietários exigem a contratação de serviços adicionais como condição para a locação: passeios, transfer, café da manhã, etc.

Por que é abusiva

Condicionar a locação à contratação de outros serviços configura venda casada, prática expressamente proibida pelo Código de Defesa do Consumidor.

O que a lei diz

Art. 39, I do CDC: É vedado ao fornecedor condicionar o fornecimento de produto ou de serviço ao fornecimento de outro produto ou serviço.

Como se proteger

  • Recuse a contratação de serviços que você não quer
  • Denuncie a prática ao Procon
  • Documente a exigência por escrito como prova
  • Procure outro imóvel se o proprietário insistir

6. Horários de check-in e check-out abusivos

Definir horários de entrada e saída é normal, mas alguns contratos estabelecem janelas muito restritas ou cobram taxas exorbitantes por pequenos atrasos.

Por que é abusiva

Check-in somente entre 16h e 18h ou check-out às 8h são exemplos de restrições exageradas. Cobrar uma diária inteira por 30 minutos de atraso também é desproporcional.

O que a lei diz

A boa-fé objetiva prevista no Código Civil (Art. 422) exige que as partes ajam com razoabilidade e cooperação. Penalidades desproporcionais por atrasos mínimos violam esse princípio.

Horários razoáveis

  • • Check-in: a partir das 14h ou 15h
  • • Check-out: até às 10h ou 11h
  • • Tolerância: 30 minutos a 1 hora
  • • Late check-out: 50% da diária (não 100%)

Como se proteger

  • Negocie horários antes de fechar o contrato
  • Peça flexibilidade por escrito se seu voo chegar tarde
  • Questione multas por atrasos de poucos minutos

7. Responsabilidade por danos pré-existentes

Cláusulas que responsabilizam o locatário por qualquer dano encontrado no imóvel, independentemente de ter sido causado por ele ou já existir antes.

Por que é abusiva

Transferir ao consumidor a responsabilidade por danos que ele não causou é manifestamente injusto e viola os princípios básicos de responsabilidade civil.

O que a lei diz

O Art. 51, I do CDC considera nula a cláusula que impossibilite, exonere ou atenue a responsabilidade do fornecedor por vícios de qualquer natureza dos produtos e serviços ou impliquem renúncia ou disposição de direitos.

Exemplo de cláusula abusiva

“O locatário assume total responsabilidade por quaisquer danos verificados no imóvel ao término da locação.”

Como se proteger

  1. Exija uma vistoria de entrada: Fotografe e filme todo o imóvel antes de usar
  2. Documente danos existentes: Comunique ao proprietário imediatamente por escrito
  3. Guarde as fotos com data: Envie para seu próprio e-mail como comprovante
  4. Faça vistoria de saída: Compare com as fotos de entrada
  5. Não assine termo de responsabilidade genérico: Aceite apenas responsabilidade por danos comprovadamente causados por você

O que fazer se seu contrato tem cláusulas abusivas?

Se você identificou uma ou mais dessas cláusulas no seu contrato de temporada:

  1. Negocie antes de assinar: Muitos proprietários aceitam modificar cláusulas se você apontar a abusividade
  2. Documente tudo: Guarde cópias do contrato, mensagens e comprovantes
  3. Denuncie ao Procon: Cláusulas abusivas podem ser denunciadas
  4. Busque seus direitos: Cláusulas nulas podem ser contestadas mesmo após a assinatura

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Não tem certeza se seu contrato de temporada tem cláusulas abusivas? Use nossa análise gratuita para identificar automaticamente problemas e saber exatamente quais são seus direitos.

Conclusão

Contratos de temporada, embora de curta duração, estão sujeitos às mesmas proteções legais que os aluguéis tradicionais. Não aceite cláusulas abusivas só porque a estadia é curta. Conheça seus direitos, documente tudo e, se necessário, busque reparação. Multas desproporcionais, taxas abusivas e transferência indevida de responsabilidade são ilegais e podem ser contestadas.

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